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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Voa beija-flor

Estava sentada à varanda quando vi algo pequeno e singelo voando de flor em flor, voava para frente e para trás, para um lado e para outro, para cima e para baixo. Tentei imaginar em câmera lenta o movimento de suas pequenas asas batendo rapidamente para mantê-lo no ar enquanto beijava as flores recolhendo o mel (nas flores de São João há mel de fato, já experimentei) e enquanto estava ali parada apenas observando não senti o tempo passar. Já eram quase quatro horas da tarde, a vida fluía na tarde de sábado. Fiz alguns cálculos matemáticos para ter uma noção de quantos bebês estariam nascendo enquanto observava o pequeno beija-flor. Não fazia a menor ideia do resultado - afinal, não sabia o número exato de nascimentos por segundo, mas, de que importa? - me sentia em paz comigo mesma.

 Endireitei minha coluna e me pus a pensar. Pensar em viver, em comer, em rezar e em amar. Me pus a escolher algo bom a fazer em seguida, me pus a analisar e a observar - hein, psiu, você aí, você mesmo, sentado em frente ao computador, endireite suas costas também, ponha-se a pensar, só 15 minutos ao menos. O Som de pintinhos mais ao fundo da varanda eram ininterruptos, estavam num contínuo número de ações: comer, ciscar, dormir e assim, crescer, mas o beija-flor não saía de minha cabeça.

Notei que não havia silêncio de fato, em algum lugar distante um pedreiro batia o martelo num prego (ou dois, ou mais, quem sabe?), um carro de som vagueava pelas ruas com a propaganda de pamonhas, ouvia aquele toque do carro que vende gás, o cabelo em crescimento, não havia silêncio, até mesmo respirar fazia barulho. Pus minha mão em meu coração e ao sentir as batidas pensei poder ouvi-las, é como quando pensa ter sentido o gosto do cheiro, quase igual a isso.

O beija-flor rondava a planta florida em busca de mais mel, era tão sereno em sua busca pelo doce (o que tanto procurava?) que me perguntei quando se sentiria satisfeito. Parecia pendurar-se pelo bico quando alcançava as flores mais altas, será que estava brincando? - e então os pintinhos descobrem como piar -. Um dente de leão pousou ao meu lado e o sono e a tranquilidade sobre o quintal, os cachorros começaram a dormir e não se viam mais mosquitinhos voando, dali uns minutos a noite pousaria sobre a cidade, deixando-a mais obscura e mais misteriosa.

O beija-flor foi correndo (voando) para casa compartilhar o mel com seus filhos. Ok, nada de fantasia. Ele havia partido e foi tão rápido quanto veio. E assim como ele, eu também iria um dia, voltaria por quem amo e para quem me ama, quem me espera em casa ou para quem me levaria para casa, enfim, do que sei eu sobre o amanhã? Apenas que talvez reencontre o belo beija-flor que vira naquela calma tarde de sábado.

2 comentários:

wwwbobeirasdabruna.blogspot.com disse...

Perfeito esse texto *-*
É muito bom parar e observar a vida de um modo diferente.
Observar como é linda as flores e os passaros que voam no céu, para decora-lo.
Continue escrevendo coisas desse tipo *-*

Gabriela Bernardi disse...

Obrigada pelo carinho e volte sempre! ^^