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quarta-feira, 15 de junho de 2011


Estava eu à beira de precipício: eu mesma. Estava em confronto mútuo com meus princípios, defeitos e qualidades. Para que tudo isso? Para mudar. Não forçadamente, mas sim, naturalmente, como respirar. É consequência de viver.
É nesta gélida madrugada que meus pensamentos afloram-se e me cercam. Me provam e me circundam. Me testam, perguntam-me "é isto o que quer?" "era disto que falava?" "é essa a mudança que tinha previsto?"
Cobranças. Só deviam existir de forma construtiva. As conversas vão se agrupando ao meu redor e me mostrando o que poderiam ter se tornado.
Brincadeiras, joguinhos, mentiras, amor e traição. Se tudo isso é possível, por que não? A escolha é própria. Assim como seguir ou não conselhos. Respeitar os mais velhos ou ao trânsito. Mas sempre há o meio termo. Desde o fim da Idade Média há este bendito. Bem-dito.
Meia-noite. A lua brilha como se fosse o sol da madrugada. Sinto frio e me encolho. O vento bate às minhas costas e bagunça meu cabelo, me fazendo arrumá-los e então erguer os braços ao céu e rodar. Rodar, rodar, rodar. Me sinto livre, de imediato. Uma risada explode para fora de minha garganta, vem do estômago. Ponho a mão na boca e escondo o que poderiam ser palavras sem sentido. De que importa? Estava sozinha, comigo e com as estrelas.
Então me lembro que estava ali por algum motivo. Ah, sim, o luar. Encantador. 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cabe o meu amor.


Altruísmo



Vejo sempre as pessoas reclamando que querem amar, que isso e aquilo. Em compensação, vejo cada vez mais pessoas feridas por um falso amor, por um para sempre que acabou em menos de seis meses. Vejo gente dizendo para uma e para outra sem se importar que o coração dela vai ouvir também e se ferir também.
Me diga, por favor me diga por que o sentimento que devia ser o mais bonito de todos se torna tão fácil o mais cruel? Me diga.
Aproveite e me diga também por que tem tanta gente pisando em cima da gente? Por que tanta maldade? Não devia ser cada um por si e Deus por todos? O que acontece agora é "eu por mim e que se foda o resto". Cadê o "amar ao próximo como a ti mesmo"? Cadê? As que têm estima e carinho ao próximo são usadas e taxadas de trouxa e de ingênuas.
Sonho com coisas que sei que são impossíveis, ou então que não vão se realizar logo. Mas, fazer o que? Se não sonhar temo desistir, porque o que há no mundo é suficiente para querer fazer isso. Há muita sujeira, muita mentira, muita sacanagem e o que realmente importa (cuidar quem ama ou quem quer bem) não tem mais tanto valor.
Chega de baixa estima, ainda me restam meus sonhos. E neles, serei livre.

Inside


Na maioria das vezes, tudo o que você precisa é de um tempo pra você mesmo.
Ando precisando de um tempo para mim. Para me organizar. Não. Reorganizar. Tenho estado muito ocupada para tudo, inclusive para mim mesma. E me pergunto: Onde é que fica o "o que EU quero?". É muito. 
Tem horas que me sinto tão cabisbaixa que penso estar decrescendo, sinto que a cada momento posso diminuir de tamanho. Mas eu sei que passa, e me reconforto com isso. 
Preciso de alguém que seja mais por mim que eu mesma. Alguém que saiba me confortar, que não precise de explicações e que saiba o quanto um abraço significa.
O pior de tudo é que eu afasto as pessoas, eu as ponho em perigo e por isso as deixo longe de mim: para protegê-las. Quero saber o que fazer. Quero ter tempo para saber quem sou e quem devo deixar próximo de mim. Ou talvez não - talvez elas é que tenham de decidir.
É todo um paradoxo perfeito. É como a lei da vida, você precisa e não tem, você tem e não precisa. Ou não. Que seja. Só quero, no momento, um cobertor de orelhas, porque está frio no meu coração.