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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A um passo da morte.

18 de Setembro de 2011 é um dos dias que mais... Mas não sei. Não sei mais.
O que sabia foi apagado e alterado. Por apenas um pulo. Um passo.
A um passo da morte. A um passo de Deus. O bondoso Deus. Que enviou seu anjo para me salvar.
Mas tem alguma coisa faltando. As peças não se encaixam. Lembro-me bem. Bem como num sonho.
O sonho que iria mudar minha vida. Que mudou. De agora em diante me chame de "A Menina que Sofreu o Acidente". Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Quando vale um passo? Um que as pessoas desperdiçam e nem sabem o valor; seja sentimental  ou real.
Tolos. Tola. Sou tola.  Sou esquecida. Porque eu esqueci. Sim. Não me lembro do que aconteceu. As cenas que rodam feito uma novela em minha cabeça foram formadas. Foram formadas por mim e pelo relato dos outros. Tento imaginar os detalhes, usar a física e a química para reproduzir o acidente. Porque sou a menina do acidente, esqueceu?

Mas não me conformo. Não aceito. É surreal!

Ah, eu me lembro bem. Disso eu me recordo, de dizer: "Sim, estou pronta!" E estava. Mas não agora. Não estou pronta, sequer preparada. Passo horas dormindo e, quando estou acordada, divido meu tempo em repetir o que me disseram, consertar o que aumentam, tomar meus remédios, dizer que estou melhorando, chorar e passar gelo. Viver é glorioso! É divino. Para mim, agora. Tudo a partir do que aconteceu, mesmo estando eu lúcida (em termos), não passa de um pesadelo. Sei que me lembro, porque já estava consciente, mas ainda assim é pesadelo. Um terrível pesadelo do qual, a cada vez que acordo, tenho a esperança de estar melhor, de estar como era antes.

Mas não é. Não vou me olhar no espelho esta semana e ver ele como era antes. Não vou reclamar tão cedo dos cravos e espinhas que brotam em minha pele. ESTOU VIVA. ISSO É UMA DÁDIVA. Serei também "A Menina que Sobreviveu" (assim como em Harry Potter). Sobrevivi. Vivi. Esqueci. É, eu esqueci. Mas me lembro (bem). E vou te contar: dói pra caramba!

Olho-me no espelho e tapo a metade inchada do rosto, então vejo apenas a parte "limpa/bonita" do que restou. Consigo sorrir, só que o sorriso fica meio deformado, como se não pertencesse (esta semana) ao meu rosto. Meu deformado rosto. Não pela queda ou pelo baque, mas pelo inchaço, que o deixa desfigurado.

Não consigo acordar, me levantar e tomar café sem antes brincar de ser feliz em frente ao espelho ou ao que aconteceu. Mas com o tempo (espero) meu organismo absorverá o sangue e minha mente irá superar o acidente. Você aí, que está lendo, acredite ou não em Deus faça uma oração. Uma oração por mim e por você, que está vivo, inteiro, psicologicamente, ao menos.

Eu estou quebrada e apagada. Meu ultimo suspiro e meu ultimo sim antes de apagar e a primeira visão que tive após acordar são completamente antônimos. Num estava com adrenalina e noutro, dor. Será que agora posso dormir? Converse comigo, não posso dormir. Depois que alguém bate a cabeça não pode dormir, senão perde a memória. Me deixaram cochilar e então eu não me lembrava mais. Ande, não me deixe dormir! Esteja ao meu lado quando acordar, se isso acontecer. Vou precisar de você: o tempo todo.

Enquanto você não chega vou apenas fechar os olhos, prometo não dormir, porque mantê-los abertos dói. Tudo bem?

A um palmo da sorte.

Hoje é dia 19 de setembro/2011. Tudo, até do que me lembro, não passa de um sonho. O QUE FIZERAM COMIGO? Quem apertou pause e me colocou no chão com sangue e dores? Quem fechou meus olhos, quando os mesmos estavam abertos? Eu tinha a areia arranhando-os como prova disso. E que palavras tiraram de minha boca quando quis gritar (caso me lembrasse)? A areia que fiquei mastigando por mais de uma hora também é uma prova.

Por que? Por que? POR QUE? São tantas palavras escondidas, tantas perguntas não respondidas e tantas ainda a se fazer. São tantas lágrimas a chorar. São tantas coisas a me conformar. A dor que vejo nos olhos de minha mãe quando me olha, esta sim, é incalculável. O esforço que ela faz para não me ver chorar (e o esforço que eu faço para não deixá-la me ver chorar), para me fazer sorrir, me fazer feliz.

Ainda mais agora, na situação que nos encontramos. Tantos compromissos. Tantos papéis que provocam os cabelos brancos brotarem couro cabeludo afora. Por que agora? Por que esse desastre todo? Por que EU sou tão desastrada e azarada? Ah, meu Senhor, é tão difícil. Sim, é difícil, sei que sou ingrata por estar viva e reclamando, mas é que a memória que me tiraram é insuportável.

Quando não pude responder "que dia é hoje?", "do que você se lembra", "do que você não se lembra?", "onde você está?", "como chegou aqui?" "não se lembra do ônibus?" "da igreja?" ou então a simples pergunta "por que está chorando?, não fique assim."

Minha Nona me disse: Você é uma moça tão linda, não fique triste, tudo irá passar, Deus vai te ajudar, ainda mais, ô minha filha, não chore, é feio moça bonita chorar, bonita é aquela que não chora, vai.

E a dor que sinto aqui dentro do peito, que rasga e estraçalha e me mostra que ainda há mais a descobrir, mais problemas a curar e superar. Você não faz a ideia do que essa dor me causa, da dor que comove e preocupa minha família e amigos. É, vejo meus amigos : agora. E saiba: minto. Minto e me engano. A mim mesma, se é possível. Quando me perguntam se estou bem eu minto. Às vezes é até reconfortante, sabe?

Minha blusa permanece molhada, mas não por água, por lágrimas, que estão cada vez mais salgadas. E molham meus lábios e bochechas e pescoço. Que me ardem aos olhos, lutando e relutando a sair. Esse choro misturado com sangue tentando emergir e, talvez assim, curar.  Mas ele não sai. Pois eu saio. Saio daqui para bem longe, para meu subconsciente, para tentar me lembrar.

Espero que me ajude, mas não me ilude, nem me mime, porque assim se torna mais difícil. De suportar e superar. "Que seja feita a Vossa vontade".


Amém.

Um salto para o desconhecido

Já ouvi várias histórias: umas de que não aconteceu tal coisa e outras que sim, aconteceram tais coisas...
Mas o que eu pergunto é: qual é a peça desse quebra-cabeça que sumiu? O que realmente aconteceu?

Acordei pela manhã e fui ao espelho e a menina que estava refletida era uma outra que não eu. Como pude estar ali de pé, sã e salva, depois de tudo o que aconteceu?


O QUE ACONTECEU?


Não sei. Só sei que depois da minha aventura sem registro na memória tudo mudou. Desde o jeito que as pessoas me olham e me abraçam ao modo de eu sentar, nadar, sorrir e chorar.

Nada mais é como antes.

Tenho um Deus muito bom e forte em meu coração, um escapulário benzido no braço e um terço no pescoço (hm, cadê meu terço?).

O impulso. O maldito impulso. Maldita corda.

É inacreditável. Não era mais para eu estar aqui. Era para eu estar junto a Deus. Mas é Ele quem determina a hora de cada um. E isso me serviu de lição - eu espero.

Ainda não consigo intender o que aconteceu. É estranho e inacreditável demais. É quase impossível. Quase.
Tenho de agradecer infinitamente por não ter quebrado nenhum osso ou perfurado algum órgão. Bom, até agora não há sintomas de nada disso, mas só até agora.

Daqui para frente serei quase uma frequentadora assídua do hospital. Tenho duas baterias de remédios para tomar: uma de oito em oito horas e uma de seis em seis. Mas isso passa.

O que não passa é o quebra-cabeça interminado.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O vento corre solitário lá fora

Vestígios de uma vida lá fora que pode ou não ter sentido enquanto os outros dormem. E foi neste estado de alegria súbita e inédita de uma outrora já (des)conhecida vi uma estrela cadente. Em minha mais pura surpresa, pensei nas superstições que nos moviam enquanto éramos crianças, que coloquei minhas mãos nos bolsos e fiz meu pedido.

Por opção, quisera eu ter terminado de fazê-lo. Enquanto pensava "tenho que fazer um pedido antes que ela apague", apagou-se, tornou-se céu, poeira. Meu pedido ficou mesmo nos bolsos e no coração, onde esperava eu que alguém superior ao momento ouvisse.

Devera devia ter feito logo o que viesse à cabeça. Mas pergunto-lhe: O que realmente é digno de ser pedido?
Digo que não sei. São tantas coisas a pedir, a ganhar que perco-me na escolha. O fato é: não pense, fale. Fale à toa, deixe chegar à tona o que seu interior quer expor.

O mundo em sua plenitude finita não teve escolha senão abrigar-nos para que pudéssemos, aos poucos, destruí-lo enquanto dorme. A insignificante maneira de agir, como se girasses ao teu redor as coisas também finitas, e, sendo assim, fosse o centro de tudo que destrói.

A alegria súbita já passou, enquanto o que restou foi a lembrança daquela estrela cadente, que brilhou e apagou em seguida. Como um meteor(it)o, de fato, que ao chegar à camada de gases, riscou e acendeu, como a ponta de um fósforo.

Dizem que as estrelas morrem a todo instante, que por causa dos prédios, do barulho do trânsito à noite na hora de dormir e também por causa da vida corrida que levamos, não vemos a plenitude estelar. Seja ela caindo ou se movendo em direção a nós: serás linda como em outrora, infinita beleza sentimental que nos move à medida que crescemos e damos valor às coisas nossas.

Da estrada às estações

Soa meio estranho
Mas quando quero, barganho.
Soa meio quadrado
Aquilo que desagrado.

Pode parecer bobagem
Mas o que digo é verdade
Àquele que tem coragem:
Crer na pura divindade.

Voa sem sair do chão
Flutua sem levitar
Na palma da minha mão
Indo aonde quer chegar.

E digo: abra os olhos
Para aquilo que te proponho
São poucos os que enxergam
Na luz da lua de outono
Ou no inverno onde hibernam.

Aquele outrém desejado

Naquele bom sonhar
Estrelas desejava tocar
Às constelações viajar
E quem sabe o que lá encontrar

Pelo meu terno e brando
Melhor sentimento ofereço
Pois sou quem quero enquanto canto
As mil maravilhas entono
Em minha cama quando padeço.

Feliz Daquele

Feliz daquele que amou e foi amado,
que sofreu e foi amparado no momento de sua dor..
Libertando-se de qualquer sentimento de amargura,
irradiando apenas a felicidade.
Cuidando com carinho de todos aqueles que estão ao seu lado.
Ignorando e perdoando os erros e falhas de pessoas amadas,
dando o seu coração em troca de uma amizade ou amor, ambos sinceros e eternos.
São essas pessoas que nos ensinam que amor, quando verdadeiro, nem sempre é recíproco,
mas mesmo assim, é vivido intensamente,
e realmente, nos ensina a saber viver..

Hallana Espindula