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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O vento corre solitário lá fora

Vestígios de uma vida lá fora que pode ou não ter sentido enquanto os outros dormem. E foi neste estado de alegria súbita e inédita de uma outrora já (des)conhecida vi uma estrela cadente. Em minha mais pura surpresa, pensei nas superstições que nos moviam enquanto éramos crianças, que coloquei minhas mãos nos bolsos e fiz meu pedido.

Por opção, quisera eu ter terminado de fazê-lo. Enquanto pensava "tenho que fazer um pedido antes que ela apague", apagou-se, tornou-se céu, poeira. Meu pedido ficou mesmo nos bolsos e no coração, onde esperava eu que alguém superior ao momento ouvisse.

Devera devia ter feito logo o que viesse à cabeça. Mas pergunto-lhe: O que realmente é digno de ser pedido?
Digo que não sei. São tantas coisas a pedir, a ganhar que perco-me na escolha. O fato é: não pense, fale. Fale à toa, deixe chegar à tona o que seu interior quer expor.

O mundo em sua plenitude finita não teve escolha senão abrigar-nos para que pudéssemos, aos poucos, destruí-lo enquanto dorme. A insignificante maneira de agir, como se girasses ao teu redor as coisas também finitas, e, sendo assim, fosse o centro de tudo que destrói.

A alegria súbita já passou, enquanto o que restou foi a lembrança daquela estrela cadente, que brilhou e apagou em seguida. Como um meteor(it)o, de fato, que ao chegar à camada de gases, riscou e acendeu, como a ponta de um fósforo.

Dizem que as estrelas morrem a todo instante, que por causa dos prédios, do barulho do trânsito à noite na hora de dormir e também por causa da vida corrida que levamos, não vemos a plenitude estelar. Seja ela caindo ou se movendo em direção a nós: serás linda como em outrora, infinita beleza sentimental que nos move à medida que crescemos e damos valor às coisas nossas.

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