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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Desvaneci.

O que acontecerá quando eu abrir os olhos?

É estranho o fato de eu não saber o que fazer. Eu apenas  tenho esboços de motivos do que e de como fazer as coisas a partir de agora. É como se eu estivesse de mãos e olhos atados, tudo o que quero e que penso não estão exatamente ao meu alcance, é um caminho sem volta do qual eu desconheço quase todo o percurso.
Consigo tomar algumas decisões, mas são ínfimas comparadas ao que terei de enfrentar. Estou completamente conhecendo o desconhecido, embarcando em algo cujo não tenho a mínima ideia de como é.
Terça feira de noite parto nesta jornada. Não sei o que encontrar lá, tampouco sei se fico. Mas de uma coisa eu sei: se não der certo, é porque não era para ser. Então eu pego meu banquinho e saio de mansinho!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Enquanto cozinha-se o feijão.

Enquanto procurava o local perfeito para a boa leitura notei que os animais estavam inquietos. As galinhas ciscavam em todos os lugares como se tivessem perdido um pintinho; os patos corriam de uma sombra à outra na tentativa de fugir do sol; os cavalos cavavam a terra como se houvesse algum inimigo ali embaixo; e, o que mais me chamou a atenção, uma vespa que corria (voava) loucamente fazendo círculos e 8 no ar - acho que se perdeu no caminho de casa quando lembrara-se de que havia deixado o feijão no fogo.
É verão e quando não há sol há chuva. Mas entenda: ou é muito calor, ou muito entediante. Deveria haver um meio termo entre sol/chuva! o que me lembra quando era criança, meus primos e eu reunidos no natal e festividades em família desenhamos no chão nuvens quando fazia muito calor e sóis quando chovia muito. Sem contar as cantigas:
- Sol e chuva: casamento de viúva. Chuva e sol: casamento de espanhol. Sol e chuva...
Voltando à minha leitura, delicio-me com bela história de menina que saia da casa para trabalhar e encontrava no mundo exterior à sua varanda uma chance de crescer. Crescer como pessoa, como gente, como quem procura algo melhor. A história seguia maravilhosamente como sempre: achava um emprego, alguém interessante, casavam-se e tinham filhos. Voltava com ela a família à seu local de origem: o passado. Celebravam todo e qualquer sucesso e viviam feliz para sempre.
Mal percebi que chovia e já era escuro. Correndo por entre folhas caídas de galhos apinhados de goiabas e cajus voltei para casa. Era bom estar livre das finas e frias gotas que caiam da noite, fazendo com que buscasse o calor do fogão à lenha. 

Balançando à rede percebo novamente o beija-flor que há muito não visitava as flores que cultivava no quintal. Voava para frente e para trás, beijando-as uma a uma. De repente sumia e no dia seguinte voltava ao seu último romance floral. O papagaio lutando contra a gaiola cantava e cantava, era uma música louca e ritmada. Quem o prendeu ali? E perto dele havia um conjunto de teias com suas aranhas. Sempre quis saber quem as ensinou desenhar a teia e, depois de muito observar as curvas, nós e retas, pude copiar seu estilho. 
Mamãe pede ajuda; pede que eu cozinhe o feijão.



Sinto falta dos meus hematomas. Não os quero de volta. Mas quando os aceitei, foram-se embora. Era um tipo de beleza peculiar.

Fuja!

É irmão, corres e feche a janela
a chuva vem chegando
ela entra e os móveis saem
cuidado, irmão, ela não tem dó

ela vem para acabar com tudo
se não cuidar, irmão, ela leva tudo
eu rimo tudo com tudo
porque não é para ter sentido
ela vem sem dó
ela vem sem dó

Só Sei Dançar Com Você

"Toda vez que eu errava você dizia
Pr'eu me soltar porque você me conduzia
Mesmo sem jeito eu fui topando essa parada
E no final achei tranquilo"
Tulipa Ruiz

A história do gigante

Eu tenho um celular. Em meu celular há um bloco de anotações. No bloco, tenho notas. Em minhas notas, há uns poemas, frases, trechos de músicas e minhas memórias. Quem ler as memórias mata o gigante.

Sei que A história do gigante não tem sentido, é que li num livro ontem algo parecido. Sim, tenho várias coisas importantes no meu bloco de notas, inclusive algumas coisas das quais me orgulho, e não as compartilho com ninguém.

Ler minhas notas é quase o mesmo que ler meu diário não que eu tenha um. Poucas pessoas têm o privilégio de ver o que escondo por trás das palavras. Mas, afinal, do que me escondo? Não sei. Talvez dos gigantes infiltrados na sociedade, quem sabe?

Com isso despeço-me. Há muito mais a registrar e, enquanto isso não acontece, corro atrás do que me é de agrado.

Como diria a Sandrinha:
E tenho dito!