Páginas

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A palavra mais escrita no referido é "janela".


imagem daqui

Devo ser um pingo sociopata.
Sim, assusto-me também ao ler essa frase de novo e de novo. Mas é verdade. Descobri recentemente que adotei uma mania peculiar nesta minha vida pacata que gosto de recostar-me à janela e observar a vida que corre solta e desembestada pelos andares do prédio onde moro. Em cada andar há uma história nova para ser contada, uma vida para observar feito abelha quando pousa na parede e fica horas parada apenas olhando a vida passar. Vizinhos adoram pijama.
Há uma, em particular, a qual não intendo o motivo de sempre atender ligações em seu celular no andar superior a seu apartamento. Parece até que ela quer esbanjar na cara dos outros sua vida cheia de encontros e consultas médicas. Uma vez, aliás, me deu 1kg de sorvete de caipirinha, regado a torto e a direito por pinga, provavelmente estava tonta.
Em fevereiro eu era aos olhos dos moradores do apto. de cima a geek daqui, cheguei na faculdade atrasada e estava tentando me adiantar e, logo após pegar o ritmo, passei a estudar somente o suficiente e disponibilizar meu tempo "livre" com coisas interessantes pela internet, meu blog como exemplo. Um motivo também por eu estar sempre perto da janela é que minha cama tem rodinhas e escorrega sobre o chão (de giz) liso, então me sento na parte dela onde as mesmas têm freio - que riscam o piso quando vou limpar, tsc -, é também onde pega mais claridade para ler. Tenho alguns outros motivos.
As vezes vou à janela olhar o céu e qualquer coisa que esteja ao meu alcance só para disfarçar a espionagem. Sim, fiz várias vezes. Como não tenho cortina em meu quarto por preguiça de instalá-la, os que passam pela escada também vêm o que faço. Chamam-me de "mundo paralelo" por estar sempre ali no mesmo cantinho com meu laptop fazendo seja lá o que a ociosidade queira.
Da janela pude perceber que há um homem vivente no último apartamento que tem um bom gosto musical e toca um par de instrumentos - da pena pensar que quando me mudar daqui só ouvirei o mundinho fechado chamado (pseudo) sertanejo -. O cara já tocou Dire Straits, The Mammas and The Pappas, Red Hot Chili Pepers e, recentemente, meu preferido Los Hermanos.
Privo-me da sensatez e aprecio a melodia e a paz que invade meu ser e meu mundo (determinado pelas paredes de meu quarto) vindas de outras vidas que diariamente querendo ou não aderem-se à minha.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Mistérios de Rubik


Tenho dedicado um certo tempo do meu dia tentando desvendar os mistérios que envolvem o cubo mágico. Fico pensando quem foi o gênio criador, porque não basta fazer x movimentos para obter uma face com a mesma cor, ainda ter como realizar tal proeza com todas as 6 (versão original). 
Descobri recentemente que há passos para montá-lo e não ao simples acaso. Eu ficava feliz quando conseguia arduamente arrumar um lado do cubo, que dirá hoje que, pestanejando consigo quase montá-lo todo (apenas uma questão de decoreba para saber todos os passos).
O engraçado é que quando torro todos os neurônios disponíveis no momento para tal ato e me canso de tentar achar a combinação toda, deixo-o sobre a mesa e quando vejo em alguns momentos, meu colega de quarto já o tem completo, cores sobre cores, todas arrumadas, verde, amarelo, azul, branco, vermelho e laranjado.
Incrível o funcionamento mental dos recordistas do cubo de Rubik, comparável ao cérebro dos jogadores de xadrez. Pensar no próximo passo enquanto move as colunas e as linhas nas direções cabíveis e (por experiência) tentar não bagunçar as cores já formadas.
Assisti neste domingo (13) a um brasileiro que quebrou o record mundial montando 5 cubos em menos de 1 min. Palmas e uma enxada a ele!

domingo, 6 de maio de 2012

Pisquei os olhos e quase uma década se passou.

Queria cair em estado profundo de meditação e reflexão sobre a vida (minha).

Na verdade o que aconteceu foi que estava tranquila demais ontem, estava zen, eu precisava refletir e analisar o que estava fazendo até então. Fiz um resumo de minha vida e de minhas caras para um amigo com visão de mudo peculiar, expliquei-lhe o que se passava em meu interior, falei de minhas angústias, medos e opiniões. Joguei-lhe toda a verdade de minha vida na cara, ele me devolveu companheirismo.

Tive fases distintas ao longo de 6 anos (wow, nem havia me tocado que eram 6 anos). Comecei pela rebeldia dos 12, tipicamente pré-adolescente, que responde os pais, grita e bate a porta do quarto; passei aos 13 era normal e apagada, usando e abusando do anonimato que era meu cotidiano até então para fazer o nada que queria; depois fui a garota de 14 a que falava palavrões e se achava A malandra da escola, mas que não chegou nem a pular o muro para matar aula;

Então vieram os 15 com a filha-perfeita, que arrumava a cama ao acordar, mantinha o quarto e o guarda-roupas organizado, comia corretamente as refeições do dia sem extrapolar em nenhuma delas, estudava e fazia os deveres, trabalhava, não namorava e não era viciada em internet - tipicamente vida cor-de-rosa; com 16 eu era trabalhava e respirava filosofia, que me ajudou a fazer novas amizades, abrir a mente ao mundo e aceitar novas teorias sobre o que é viver e estar vivo;

No ano que completei 17 anos mudei para escola particular com nome em minha cidade, visando obter mais conhecimento e me sair melhor no ENEM mas, ao chegar lá, a realidade era outra: os que deveriam ser meus colegas não aceitaram o meu modo de vida e o usavam para me deixar cabisbaixa, até que quando percebo, havia passado 3 meses sem conversar com ninguém na escola (apenas com os funcionários, principalmente com as "tias" da limpeza e da cantina - uns amores de senhoras!). Para ser aceita me submeti ao mau gosto dos colegas de sala, passei a ouvir funk, e então assim comecei participar do que era aquele grupo de pessoas que se intendiam e, com isso, comecei também (infelizmente) usar vocabulário sujo (não que meus pais ouvissem o que eu dizia, nunca).

Quando o ano chega ao fim, olho para trás: não havia muita coisa boa de que se aproveitar dele. Nos estudos não fui bem, tinha mau-comportamento com fundo musical regado de Mc. Catra, relaxei com os cuidados de meu quarto e da casa, aos quais minha querida e saudosa mamãe reclamava muito, já não trabalhava mais, era sustentada pela minha mesada de filha-doméstica-não-muito-caprichosa, não passei nos vestibulares que prestei e o mais desejado dos que queria não fiz (engenharia civil na UFMG de belo horizonte, 20 cand./vaga). Iria passar o ano de 2012 em casa estudando e fazendo cursinho enquanto todos os meus companheiros-vagabundos de sala entravam pra faculdade.

Resolvi então vir para a Bolívia, decisão de última hora. Tomei o ônibus com destino Santa Cruz de la Sierra numa quarta-feira, se não me engano, sem ao menos me despedir de meus queridos familiares e amigos. Não tinha passaporte, muito menos certificado de conclusão do ensino médio (o qual não tenho até hoje porque a escola fechou e seus responsáveis se mudaram todos de Vilhena para Deus sabe aonde).

Ontem foi um dia pacato de minha vida, qual até 22h não sabia o Quê que faltava para se tornar completo. Faltava meditação. Havia lido uma matéria no G1 sobre a lua estar maior e mais brilhante à 00h, mas não a encontrava e, depois de subir ao terraço e achá-la, descobri o que faltava: nos 40 minutos que passei lá em cima cochilando e deixando minha mente vagar na noite maravilhosa, clara, estrelada e enluarada, encontrei o meu desejo escondido.

Percebi que de acordo com a música abaixo postada, já não engulo mais sapos. Sou mais decidida e apesar de confusa às vezes, posso perceber que estou me tornando adulta (à minha maneira). Não vi o pôr-do-sol, mas vi o esplendor do céu e sua magnitude.