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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Inacabado.

Ela olha-se ao espelho e pensa "estou ficando velha". Não são as marcas da idade que imprimem em sua pele a aparência da velhice, mas sim a expressão de cansaço. Anda ocupada e se ocupa andando, sempre fazendo algo durante o dia e a noite, seja estudar ou trabalhar. Diz ela que mudou de cidade para ser alguém na vida, mas soube assim que chegou lá que não seria tão fácil.

O olhar cansado paira sobre o ar indo além do imaginável, num breve momento de descanso. Como poderia lidar com tudo aquilo ainda não sabia, mas sim que teria de suportar. Puxou a corda da descarga, desligou a luz e saiu do banheiro. Como não tinha muito tempo para nada, a casa geralmente estava desorganizada e tinha de dividir o tempo livre com a arrumação e acalmar o estado de espírito para assim, poder enfrentar mais uma jornada da batalha.

Levantou as pernas no sofá para um breve cochilo após o almoço. Ah!, os joelhos doíam. 
- Estou velha, pensou novamente, como é possível ser tão nova e velha ao mesmo tempo? Carrego em mim os costumes de meus pais e do mundo "globalizado", como num paradoxo sem fim. Quase penso que Como Nossos Pais se encaixa para mim - mas não vem ao caso.

Depois de algum tempo deitada no sofá começou cochilar e, depois que acorda, grita: CHEGA!

O que começa, mas termina pela metade.

Sei que não deveria estar fazendo ou pensando nisso, mas o pensamento é mais forte que eu - a ideia do pensamento é mais forte -.
Estou sozinha e só, aos arredores ligeiramente ocupada e acompanhada por meu celular que gosta mais do chão do que de mim. As pessoas que me fazem companhia já não são presentes, mas sim virtuais, um paradoxo irritante que me acompanha a vida.
Pensamentos e pensamentos e ideias e vontades e coisas e tais.
Tudo é um constante desenvolvimento, porque já não há mudança. A raça humana se desenvolve e já não é igual ao século passado; as pessoas eram bonitas de uma forma, mas hoje é de outra; a sociedade, por outro lado, permanece imuta, com as mesmas crenças (estúpidas!) e protocolos de formas de agir.
Eu me pego sorrindo respondendo uma mensagem de celular ou apenas pensando, mas é frequente.
E AGORA?

sábado, 25 de agosto de 2012

Breve

Contemplo em meu caminho p'ra casa a paz na solidão. Vez ou outra tiro os fones para prestar atenção em algum acontecimento cotidiano pelo qual em frente passo, alguma coisa que me chamou o olhar e tive que vê-lo também com os ouvidos. Com os fones novamente colocados eu ando pelo mundo prestando atenção em cores
Passo tanto tempo fazendo tanta coisa que acabo sem tempo para mim. Gosto de ficar só, às vezes imploro ficar só, mas não adianta. A solidão tem que ser natural. Chamavam-me de Lobo Solitário por eu ter sempre um refúgio em meu minúsculo quarto do tamanho de um cubo de Rubik. 
Ao tempo vou descobrindo coisas que se prestasse mais atenção no que faço não teria sabido deveras. Sem perceber foco em não-detalhes que fazem o que vejo tornar-se importante. Chego ao ponto em que gosto de ser distraída, ganho pensamentos (ou mesmo pensamentos automáticos, como num piloto automático) inusitados e inesperados.
Deixo-me levar pelo instante. Instantes. Componho minha própria história com letras de forma numa impressão rascunhada à tinta preta. Vez escrevo bonito, vez a letra sai feia, a frase, a oração.

E em minha solidão a dois, não sou a única a estar só.

sábado, 18 de agosto de 2012

RESSALVA À POSTAGEM SOBRE MAMÃE

Eu sei que sou injusta e, apesar de às vezes ser compreensiva e tentar não forçar uma situação, quando quero uma coisa passo por cima do que está à minha frente, até mesmo de meu respeito por meus pais.
Eu não digo que os desrespeito, não, isso não, o que faço é ludibriar as leis e regras que impuseram sobre a casa e a família e dou um jeito de, por meio de argumentos significativos, fazê-los mudar de ideia.

Minhas características (adjetivos) são bem controversos às vezes. Posso ser compreensiva e injusta ao mesmo tempo (como já citado), sou meiga e dou patadas e falo palavrões. MINHA MÃE MERECIA A BOLSA AGUENTE-A-GABI (risos). Eu sou um ser difícil de lidar. Há dias que tiro meu tempo livre para, enquanto ajudo mamãe com os afazeres domésticos (por que "afazeres" o "a" é de preposição?), ficar perturbando-a. Ela da risada, faz drama e entra na brincadeira.

A minha é ótima! Tem lá seus defeitos, qualidades, manias e manhas. Mas faz das tripas coração para nos ver feliz. Enfim, é exatamente aquilo que todos os pais dizem:
- Nós só queremos o melhor para vocês.

Eu só queria vir aqui dizer algumas coisas sobre ela porque já usei este mesmo meio para criticá-la.
Já engoli meu "orgulho" e pedi desculpas, só me restava retratar aqui.