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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Fui

"Oh, senhorita, não leve este pobre cavalheiro a mal. Estive a ponto de cumprimentá-la, mas as obrigações diplomáticas impeliram-me a continuar em meu lugar e dialogar com os transeuntes conhecidos. Quando meus olhos procuraram os seus, a senhora já não estavam mais no lugar onde havia deixado."


*13/08/2012 mais ou menos

Dois passos a mais.

Quantas opiniões formavam sobre mim enquanto eu passava pelo campo de visão por uma fração de segundos? Achavam tantas opiniões perdidas por falta de argumento que podia ver acima de suas cabeças o número de argumentos, detalhes e conversas sendo tecidas num roteiro pré-estabelecido que pensei ser assim mesmo.
É incrível.
Sei que foi assim porque num passado longínquo tecia eu com meus fios de lã sintética comentários numerosos e fúteis sobre qualquer coisa que se veja. Incrível. Poder perder-se em pensamentos sobre algum alheio à tua realidade e inútil vã opinião. Filosofias concretas e absolutas sobre um algo inesperado.
Lembro-me bem de quando atravessando a praça prendia olhares de senhores nunca antes vistos - talvez sim, quem sabe? - numa passarela completa pelo chão da praça de paralelepípedos que fazem tropicar e sujar o calçado. Que pensamentos tinham por mim, poor girl, cada vez que ia e voltava pela comodidade daquele caminho? 
Fingia olhar as folhinhas das árvores caindo depressa com o vento ou mexer no cabelo e olhar pro chão como quem procura a moeda que caiu ou então fingir que nada viu e seguir sem olhar para os lados.
Não sabiam eles, desocupados sentados no banco com cigarro na boca e barba de dois meses, que eu não tenho parte dos pensamentos que têm.

Cheguei à rua, atravessei-a e uma nova história começou a partir dali, quando uma senhora muito afetuosa confundiu-me com alguma filha amiga de sua filha.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A coletividade do individual.

Tudo o que sou e nada
faz parte de mim este tudo
que preenche minha existência,
mas tudo o quê se sou pouco?

Não vivi nada até agora
controvérsias haverão amiúde
estaria eu morta em comodismo
que de mim mesma enxergo nada?

Da autoanálise subjetivada
encontrei-me a mim mesma
caso contrario não seria auto
e numa epifania louca confiei-me.

Tudo que sei e nada
fiz o que pude,
tentei.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Nascer, crescer, reproduzir e morrer.



No começo eu era como outro qualquer, sem importância, sem atitudes, sem nada. Eu era ácida, fria e não falava com ninguém.
Então mudei.
Sim, mudei, não sei o que aconteceu, porém, mudei.
E gostei de ter mudado.
Eu cresci, fiquei mais bonita, mais consciente de mim, confiante, até.
Meu corpo foi se desenvolvendo e como uma mulher feita fui ficando formosa, até com brilho no olhar. Sempre fui fotogênica, mas as pessoas encontravam formas de me deixar muito mais bonita sem alterar-me no photoshop.
Comecei ser mais amigável e simpática, respondia bem às necessidades alheias - altruísmo e tal. Mas com o tempo me cansei, as pessoas cobravam cada vez mais de mim, abusavam de minha bondade, queriam sempre mais e mais e mais.
Até que decidi cobrar meu ônus, cobrar pelo trabalho que fiz e exigir recompensações. Porém, como tudo na vida não são rosas, não recebi muita coisa.
É claro que era apoiada por hippies, ambientalistas e pacifistas, só que ainda assim não era suficiente.
Fiquei doente, quem não ficaria? Pesquisei, me revoltei, consultei, conversei e após vários diagnósticos descobri do que sofria:
Humanos.