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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Dois passos a mais.

Quantas opiniões formavam sobre mim enquanto eu passava pelo campo de visão por uma fração de segundos? Achavam tantas opiniões perdidas por falta de argumento que podia ver acima de suas cabeças o número de argumentos, detalhes e conversas sendo tecidas num roteiro pré-estabelecido que pensei ser assim mesmo.
É incrível.
Sei que foi assim porque num passado longínquo tecia eu com meus fios de lã sintética comentários numerosos e fúteis sobre qualquer coisa que se veja. Incrível. Poder perder-se em pensamentos sobre algum alheio à tua realidade e inútil vã opinião. Filosofias concretas e absolutas sobre um algo inesperado.
Lembro-me bem de quando atravessando a praça prendia olhares de senhores nunca antes vistos - talvez sim, quem sabe? - numa passarela completa pelo chão da praça de paralelepípedos que fazem tropicar e sujar o calçado. Que pensamentos tinham por mim, poor girl, cada vez que ia e voltava pela comodidade daquele caminho? 
Fingia olhar as folhinhas das árvores caindo depressa com o vento ou mexer no cabelo e olhar pro chão como quem procura a moeda que caiu ou então fingir que nada viu e seguir sem olhar para os lados.
Não sabiam eles, desocupados sentados no banco com cigarro na boca e barba de dois meses, que eu não tenho parte dos pensamentos que têm.

Cheguei à rua, atravessei-a e uma nova história começou a partir dali, quando uma senhora muito afetuosa confundiu-me com alguma filha amiga de sua filha.

Um comentário:

Índia disse...

Lindo! Um dia eu vou conseguir escrever assim!!